É difícil ser transparente? Acredita-se, que ser transparente é simplesmente ser sincero e não enganar os outros. Mas é muito mais do que isso. Ser transparente é ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar e de falar o que sente. Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair às máscaras, baixar as armas e destruir os imensos e grossos muros que se empenha tanto para levantar. Ser transparente é permitir que toda a doçura aflore, desabroche, transborde! Mas, infelizmente, quase sempre, decide não correr o risco de ser transparente. Prefere a dureza da razão da leveza que exporia toda a fragilidade humana. Prefere o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo do ser. Prefere perder-se numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente entregar-se e admitir que não sabe, que tem medo! Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que distancia cada vez mais de quem realmente é, prefere assim: manter uma imagem que dê a sensação de proteção, e assim, vai se afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos. Não porque seja uma pessoa mentirosa, mas apenas porque se perdeu de si mesmo e já não sabe onde está sua brandura, seu amor mais intenso e não-contaminado. Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro faz perceber que já não sabe dar e nem pedir o que de mais precioso tem a compartilhar, como a doçura, a compaixão, a compreensão de que todos sofrem, sentem-se só, imensamente tristes e choram baixinho antes de dormir, num silêncio que remete a uma saudade desesperada de si mesmo. Daquilo que pulsa e grita dentro de si, mas, que não tem coragem de mostrar á aqueles que mais ama! Porque, infelizmente, aprende que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer o que está te machucando. Porque aprende que dizer, é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agisse com o coração, poderia evitar tanta dor, tanta dor... Deixe explodir toda a doçura! Consiga não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o medo e não desejar parecer tão invencível. Consiga não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto. Consiga docemente viver, sentir e amar. Seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento. Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.
[ Autor? ]
Mudei o texto para a terceira pessoa... Encaixa-se melhor aqui.